Xingatório da Imprensa

sábado, março 27

Maxivalorização
Deu no Globo de hoje: "O Tribunal Distrital de Nigata, no Japão, determinou ontem que o governo e uma empresa de transportes indenizem um grupo de dez chineses forçados a trabalhar no Japão durante a Segunda Guerra Mundial. O veredicto raro pode influenciar outras ações e estipula o pagamento de 88 milhões de ienes (US$ 830 milhões)."
Xingado por Elpydio 1:49 da tarde

sexta-feira, março 26

Conto de fadas
Francisco Bazílio Cavalcante, faxineiro do aeroporto de Brasília que encontrou uma carteira com US$ 10 mil e devolveu ao dono, é um herói. Ponto. Mas e a imprensa, tem de ficar invariavelmente cega diante de atos de heroísmo? Lula pediu ao presidente da Infraero que "incorpore Francisco aos quadros da empresa". Peraí. Francisco vai assumir um cargo comissionado? Ou existe alguma cláusula que permite incorporar heróis sem concurso público? A pergunta é incômoda e, talvez por isso, ninguém a tenha feito.
Xingado por Elpydio 1:56 da manhã

quarta-feira, março 24

Caravana Rolidei
Na série títulos criativos, O Dia publica hoje na capa do caderno Ataque: "Bye bye Brazil". A matéria, no entanto, não é sobre jogadores que saíram do país ou algo do gênero. Trata-se de um abre falando dos jogos dos times do Rio pela Copa do Brasil.

Os jogos acontecem no Rio de Janeiro, Juiz de Fora, Brasília e Recife. Ou seja, em várias cidades e regiões do país. E o filme Bye bye Brazil, de Cacá Diegues, conta justamente a história de uma caravana de artistas que sai apresentando seus números pelo Brasil. ENTENDEU?
Xingado por Elpydio 10:18 da tarde

quinta-feira, março 18

Notícia de anteontem
Desde o imbróglio Cruzeiro-Wanderley Luxemburgo, Carlos Alberto Parreira repetia para quem quisesse ouvir: "Se Rivaldo não estiver em um clube, não será convocado." Chamada de primeira página da Folha de S. Paulo nesta quarta-feira: "Parreira deixa Rivaldo de fora".
Xingado por Elpydio 12:26 da manhã

domingo, março 14

Sobre pernas e charges
A decisão do Jornal do Brasil de eliminar um pedaço de corpo na foto do atentado em Madri pode ter sido pouco inteligente, e mesmo desrespeitosa com o leitor, mas não chegou perto de se destacar no quesito oportunismo. Neste, o título inconteste coube ao Globo, que, arauto da fidelidade aos fatos, encontrou um tapete perfeito para esconder seus próprios deslizes.

Título e subtítulo da matéria sobre fotos adulteradas, na edição de sábado, falam sobre a importância da verdade: "Explosões matam: não se pode esconder esta verdade"; "O dia em que o fotojornalismo acabou sendo mais uma vítima".

Título e subtítulo da matéria sobre uma charge de péssimo gosto, na mesma edição e na mesma página, mostram como a importância da verdade é relativa: "Charge provoca intensa reação de espanhóis"; "Chico Caruso, neto de espanhóis, fica surpreso ao ver seu trabalho interpretado como ofensivo".

O título omite a informação mais relevante, o tipo de reação, a saber negativa. O subtítulo dá ao representante da casa o que foi negado ao JB e a todos os "vários jornais, no Brasil e em outros países" que apagaram o pedaço de corpo: direito de defesa.

E essa meia página do Globo traz uma frustrante conclusão: antes os problemas dos nossos jornais com a verdade se resumissem ao Photoshop.
Xingado por Elpydio 2:15 da manhã

sexta-feira, março 12

Onicorrespondente
Os correspondentes da TV Globo - que, falando da frente do Big Ben, dão informações exclusivas sobre a situação no Iraque, em Israel e na China - estão fazendo escola. Hoje, o Globo publica matéria intitulada "Congresso do Chile aprova lei do divórcio", escrita pela correspondente do jornal na Argentina. Direto de Buenos Aires.
Xingado por Elpydio 2:15 da manhã

sexta-feira, março 5

Violência e manchetes
As manchetes de hoje mostram que também os jornais foram derrotados pela violência. Enquanto O Dia mostra uma indignação atrasada na primeira página com "Assim não dá mais para sair de casa", O Globo repete pela enésima vez (no subtítulo da manchete de Rio) o óbvio com "Confronto nas ruas, execução de diretor de presídio e seqüestro põem em xeque a segurança".

Os dois jornais parecem esquecer que "não dá para sair de casa" e "a segurança está em xeque" há anos. Fariam melhor se destacassem o curioso fenômeno do brotamento da violência; afinal, ela não é culpa do Governo do Estado (do atual ou dos passados), nem do Governo Federal (do atual ou dos passados), nem da desigualdade social, nem da desintegração da família, nem da educação precária, nem da natureza humana, nem do Waldomiro. Mas aí é mais complicado. E não vende tanto jornal.
Xingado por Elpydio 12:35 da tarde

segunda-feira, março 1

Enquanto isso, na Rede TV...
O melhor programa de humor da Rede TV não é o escrachado Pânico na TV ou o pseudopolêmico Te Vi Na TV. A honraria cabe ao Jornal da TV!, que todo dia oferece uma gafe constrangedora, para alegria do telespectador. Hoje, enquanto a apresentadora Cláudia Barthel dizia "O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles...", ao fundo aparecia a foto do diretor de Cidade de Deus, Fernando Meirelles.
Xingado por Elpydio 9:56 da tarde

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Assis Gutenberg e Elpydio Phragoso mostram que a imprensa brasileira não evoluiu muito no último século.

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