Xingatório da Imprensa

domingo, dezembro 29

Recebemos um comentário do criativo leitor "Elpydio":

Como prova o texto da sucursal de Florianópolis, o Xingatório da Imprensa não conhece divisas ou fronteiras. Também finge que não conhece o infeliz que, num lugar de praias e mulheres em quantidade e qualidade realmente excepcionais, escreve para um blog de crítica destrutiva.

Caro "Elpydio",

Você já leu, viu ou ouviu matéria sobre o mau atendimento do Bradesco? Você já, leu, viu ou ouviu algum jornal, site ou emissora declarando sua posição política? Você já leu, viu ou ouviu cobranças incisivas em relação às denúncias de crimes cometidos pelos clãs Sarney, Barbalho e Oliveira? Você já leu, viu ou ouviu matérias destacando os defeitos de destinos turísticos ou automóveis conhecidos por meio de jabaculê?

Destrutiva é nossa imprensa. Destrói até nossos neurônios.
Xingado por Elpydio 6:27 da tarde

sábado, dezembro 28

La Nación a R$ 6
de Florianópolis

As classes abastadas da Argentina continuam abastadas (ou pelo menos não empobreceram o bastante para desistir da viagem de férias).

Numa passada rápida pelas praias de Florianópolis, o som cantarolado do espanhol é quase constante. Devem ser paraguaios!

Não. A placa preta dos carros desmente qualquer teoria desse tipo. Os argentinos diminuiram de número (a classe média não vem mais) mas não ficaram mais econômicos. Nas bancas de jornal, a pilha de La Nación é quase tão alta quanto a de Diário Catarinense. A diferença é que, enquanto os catarinenses pagam R$ 1,25 por seu jornal, os argentinos pagam R$ 6 para ler as notícias da crise portenha.

Isso mostra, sem dúvida, como funciona a lógica econômica argentina. No cibercafé catarinense onde escrevo, R$ 6 pagam mais de uma hora de conexão a cabo - com direito a ler até a página do La Nación.

Xingado por Elpydio 7:34 da tarde

O Dia de hoje inaugura a imprensa curandeira: "Benedita revoga surdez de comandante da PM".
Xingado por Elpydio 4:17 da tarde

quinta-feira, dezembro 26

Esse episódio me lembra o histórico embate entre Alfredo Ribeiro e Noenio Spinola decorrente de uma crítica do Tutty a outra preciosidade decorativa, a Estátua da Liberdade carioca, no New York City Center. É como sempre digo: mudam os enes, mas a sensibilidade fica.
Xingado por Elpydio 12:02 da tarde

Que beleza a capa do Jornal do Brasil de quarta-feira, tomada por uma enorme imagem da árvore de Natal da Lagoa Rodrigo de Freitas. Fiquei emocionado. Pena que a imagem não correu até o pé da página, impedida por um singelo anúncio do Bradesco. Na parte interna, foi um show: reportagens, coordenadas, boxes e fotografias, tudo para enaltecer a árvore "que deixa os casais ainda mais apaixonados". Em meio a tantas matérias, uma enaltecia o investimento pesado da Bradesco Seguros. Entre aspas, diretores do banco vibravam com o retorno financeiro do adorno natalino. Comovente.

Ao fim da leitura, veio a dúvida: qual teria sido o motivo de todo aquele oba-oba? Na certa a direção do periódico concluiu, jornalisticamente, que seria de bom tom presentear os leitores com belas imagens do espigão luminoso que enfeita a Lagoa. Ou será que havia nas entrelinhas algo de retratação? Penso que não. Só porque a coluna de Eugenio Bucci, na última quinta-feira, desancava a árvore e atacava a hipocrisia dos banqueiros? Duvido. Em pleno Natal, o JB não se dobraria a uma exigência tão rancorosa.

Xingado por Assis 11:40 da manhã

terça-feira, dezembro 24

A Veja já mostrava, há algum tempo, que se considerava acima dos homens. Fosse ao abrir posições políticas, como no caso do golpe fracassado na Venezuela, este ano, fosse nas agressões gratuitas e preconceituosas das seções culturais e de comportamento. Agora, a revista semanal mais vendida do país resolveu mostrar que também não tem medo do divino: botou na capa um Jesus caucasiano de fazer Hitler babar de gozo. Só falta insinuar que Deus, na verdade, é sueco.
Xingado por Elpydio 5:20 da tarde

O Estadão estampou na parte superior da primeira: Guido Mantega é surpresa no Planejamento. O Globo foi mais discreto, e só aludiu à "surpresa" na matéria sobre o ministério de Lula, na página 3. Como assim, surpresa? Mantega, não bastasse ser um dos "quadros" econômicos do PT há muito tempo, passou toda a campanha falando como o assessor econômico do PT!

É só verificar a coleção do próprio Estadão (a do Globo é mais difícil, porque o jornal cobra pela consulta ao arquivo): na edição de 14 de novembro, a matéria de Mariana Barbosa (Mantega diz que 'bolha inflacionária' vai ceder) abre, note bem, abre, com "O assessor econômico do PT, Guido Mantega..." No dia 17 do mesmo mês, um editorial (O discurso prudente do PT) cita o futuro ministro do Planejamento como um dos "principais membros da equipe do PT". Enfim, para quem tiver o cuidado de pesquisar, os exemplos são inúmeros. Só falta agora os editores dos dois jornalões mostrarem um pouco do mesmo cuidado.
Xingado por Elpydio 3:25 da tarde

sábado, dezembro 21

Sou do tempo em que o Jornal do Brasil oferecia aos leitores boas matérias, diagramação decente e credibilidade. Hoje, o centenário periódico oferece velas aromatizadas. Não é uma beleza? Comprando o JB aos domingos e pagando mais R$ 3,90, você leva para casa o artefato esotérico-iluminador. Para registrar a sensacional promoção, lá está uma bela matéria na edição de hoje (21/12), com trechos primorosos. Selecionei apenas um deles:

"Existe uma grande diferença entre velas perfumadas e aromatizadas. As perfumadas recebem somente um banho de perfumes e colorantes. Esse procedimento não é recomendado, pois a vela pode se incendiar. Já nas velas aromatizadas, as essências das fragrâncias são misturadas diretamente na parafina, provocando a volatização (emissão dos aromas a partir da combustão). Essa técnica garante ao consumidor, além de segurança, a certeza de que a vela irá aromatizar o ambiente".

Esmurre o túmulo com toda a sua força, Condessa. Quem sabe alguém ouve e vai aí te buscar.
Xingado por Assis 5:23 da tarde

quinta-feira, dezembro 19

Linda matéria de 30 páginas sobre os encantos do Ceará no caderno Boa Viagem do Globo. Na verdade, até surpreendente, já que o jornal não costuma fazer relatos tão completos das maravilhas de um único destino. Obrigado à repórter e ao fotógrafo, que, aliás, "viajaram a convite da Secretaria de Turismo do Ceará".
Xingado por Elpydio 10:18 da manhã

quarta-feira, dezembro 18

Meu fraterno abraço a todos, cá estou eu (re)estreando nestas páginas. Acho absolutamente saudável o quebra-pau velado na imprensa a respeito da fórmula do próximo Brasileirão. Nos últimos anos, com os dirigentes no auge da picaretagem, jornais e revistas defendiam em uníssono a competição em pontos corridos. O problema é que ninguém acreditava que um dia a idéia seria realmente posta em prática. No terreno da utopia, tudo corria às mil maravilhas. Agora que doutor Ricardo Teixeira bateu o martelo, veio o racha. A verdade é que a imprensa adora o mata-mata.

Resumindo o embate, ficamos assim: de um lado, Juca Kfouri e um punhado de notáveis do governo Lula pregando a moralização a qualquer custo. Do outro, Galvão Bueno e a Rede Globo defendendo a ditadura da audiência. O pior é que esta situação (vejam só que terrível) me obriga a optar por Galvão e Globo em detrimento de Juca e Lula. É o fim! Mas não posso concordar com essa história de pontos corridos. Eu, que acompanhei oitavas, quartas, semifinais e finais durante todo o século passado, não posso mais viver sem elas. O argumento de que deu certo na Europa só reforça minha aversão. Seja sincero: tem coisa mais chata que campeonato europeu? Ainda por cima na Band, em VT, narrado pelo Sílvio Luiz??? Faça-me o favor.

Xingado por Assis 12:31 da tarde

O pessoal do Lance! fez uma bela campanha a favor do Campeonato Brasileiro com turno e returno, em pontos corridos, com direito a editorial na primeira página esculhambando o Galvão Bueno. Tudo o que se faz para melhorar o futebol é louvável e tudo o que se faz para sacanear o Galvão Bueno é mais louvável ainda (a não ser que a sacanagem venha da cartolagem, situação em que deve-se tapar o nariz e apoiar o Galvão), e o Lance! mostrou até uma fina ironia para cuidar do caso. Numa coordenadazinha, mostrou alguns exemplos de fórmulas loucas para o Brasileirão.

A de 1979 é do tempo em que a CBF era comandada pelo Heleno Nunes e pelo lema "Onde a Arena vai mal, um clube no nacional", e, a julgar pelo Lance!, explicita um fenômeno curiosíssimo do futebol, então, tricampeão: o sumiço e reaparecimento de clubes. Pelo texto do jornal (o link está aqui, mas é preciso se cadastrar para ter acesso), o campeonato teve 94 clubes, divididos em oito grupos de 10 (o que dá 80!) na primeira fase. Desses 10, passavam os seis melhores de cada grupo (o que dá 48) para a segunda fase, disputada por sete grupos de oito times (ou seja, 56!). O texto diz ainda que o campeão e o vice do ano anterior passavam à terceira fase, mas eu preferi não me perguntar de onde saíram (ou reapareceram) esses times.
Xingado por Elpydio 10:55 da manhã

Este século de vida me roubou a visão ou realmente não li nada a respeito dos compromissos do futuro ministro Gilberto Gil com as empresas Gege Produções, Geléia Geral, Refazenda, Alafia Produções e Editora FG?
Xingado por Elpydio 10:37 da manhã

terça-feira, dezembro 17

Acontece o tempo todo, mas de quatro em quatro anos fica descarado: longas matérias de capa que são puro chute. Os jornais erraram todos os chutes para o nome do futuro presidente do Banco Central. E não se incomodaram em errar: continuam enchendo páginas e páginas com nomes tirados da cartola para os futuros ministros.

Para quem achava que os chutes eram exclusividade da editoria de Esportes (com as matérias sobre contratação de técnicos e jogadores), a triste verdade: o chute é geral. E a pontaria é péssima.
Xingado por Elpydio 8:06 da tarde

O Xingatório da Imprensa não passava de uma coluna pretensiosa do finado site O Estagiário. Uma coluna que pretendia insolentemente apontar todos os erros da imprensa, dos mínimos escorregões na ortografia às estrondosas canalhices que repetem-se diariamente em jornais, revistas, rádios, TV e internet. Tudo seguiu como previsto - poucos leitores e nenhuma repercussão - até agosto de 2001, quando os compromissos profissionais dos fundadores finalmente levaram à morte coluna e site.

Por que então voltaram, eis a pergunta que ninguém quer fazer, mas que vamos responder assim mesmo. É verdade que a imprensa tem sido vigiada de perto por iniciativas como o Observatório da Imprensa e as Cartas Ácidas e por outros blogs, como o Picadinho Diário e o Marinildadas.

Mas acreditamos que há uma peça faltando: uma coluna pretensiosa e insolente que revele todos os podres da imprensa. Tapem os narizes.
Xingado por Elpydio 7:50 da tarde

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Assis Gutenberg e Elpydio Phragoso mostram que a imprensa brasileira não evoluiu muito no último século.

E-mails educados para: assisgutenberg@bol.com.br
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